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A falta de dentes envelhece o rosto? O que muda quando o sorriso perde suporte

falta de dentes envelhece o rosto: ilustração 3D do crânio e do contorno facial

Está a rever fotografias antigas e algo lhe chama a atenção, mas não é uma ruga. É a boca. Os lábios pareciam ter outro apoio, o sorriso ocupava o rosto de outra maneira, e a pessoa da fotografia parecia ter outra expressão.

Será que a falta de dentes envelhece o rosto? A resposta curta: pode, sobretudo quando faltam muitos ou todos os dentes, mas não é automático e não explica tudo. Um dente em falta não envelhece o rosto de um dia para o outro, e colocar implantes não apaga dez anos.

O que vale a pena é perceber o que mudou na boca antes de atribuir tudo à idade, e antes de decidir qualquer tratamento.

Conteúdos abordados:

Porque se diz que a falta de dentes envelhece o rosto?

Os dentes não servem só para mastigar e para aparecer no sorriso. Em conjunto com os tecidos que os rodeiam, participam no suporte da região da boca, um pouco como a estrutura que mantém uma tenda esticada.

O que muda no suporte dos lábios?

Quando a perda é extensa, os lábios podem ficar com menos apoio e o contorno da boca modifica-se. A substituição dos dentes pode ajudar a recuperar parte desse apoio.

Conta também a forma como os dentes de cima e de baixo se encontram. Em perdas extensas, desgaste acentuado ou próteses antigas, o médico dentista avalia a dimensão vertical da oclusão, isto é, a altura entre os maxilares quando os dentes contactam.

Não se mede pela impressão de que “o rosto está mais fechado”: exige observar a boca e a função. Uma fotografia pode motivar uma pergunta, mas não decide um tratamento.

Perda de dentes e envelhecimento facial: o papel do osso

O espaço vazio é só a parte que se vê. Depois de perder um dente, o osso da zona pode perder volume ao longo do tempo. Em quem usa prótese removível, isto ajuda a explicar porque uma prótese que antes estava firme começa a ficar solta.

Aqui está uma diferença importante entre as soluções. O implante dentário fixa-se ao osso e, ao mastigar, transmite-lhe a força que antes era feita pela raiz do dente natural. Isso ajuda a preservar o volume ósseo na zona onde foi colocado. A prótese removível assenta sobre a gengiva e não transmite essa força ao osso. Com os anos, o osso tende a continuar a perder volume e a prótese vai deixando de ajustar-se, precisando de rebasamentos ou de substituição. Com menos osso, os lábios e as bochechas têm menos apoio, e é por isso que o rosto pode parecer mais encovado à volta da boca.

Isto não quer dizer que o implante seja sempre a melhor opção. Depende do osso disponível, da saúde das gengivas, da saúde geral e do que cada pessoa pretende.

E a perda de suporte pode começar antes de o dente cair. A periodontite danifica o osso e os tecidos que seguram os dentes, provoca mobilidade e, em fases avançadas, perda dentária. Por isso, perante gengivas que sangram, retração gengival ou dentes a abanar, a primeira pergunta não deve ser “que implante vou colocar?”, mas “o que ainda podemos preservar?”.

Pode saber mais sobre este tema em periodontite e saúde geral.

Falta um dente de trás: faz diferença?

“É um dente de trás, não se nota.” É das frases mais ouvidas quando falta um molar, e é verdade que pode não aparecer numa fotografia. Mas isso não significa que não faça falta.

A ausência de um molar pode afetar a mastigação, e os dentes que ficam podem mudar de posição com o tempo. As consequências de um dente em falta não são só estéticas.

Ainda assim, perder um único dente de trás não provoca, necessariamente, uma alteração visível em todo o rosto: depende da localização, da extensão da perda e da situação dos restantes dentes. Veja também falta de dentes e mastigação.

Rugas: o que é dos dentes e o que é da pele?

A pele muda com o tempo: perde elasticidade, torna-se mais fina, e fatores como a exposição solar e o tabaco contam muito. Por isso, uma linha mais marcada junto à boca ou uma alteração no contorno dos lábios não prova que exista falta de suporte dentário. Costuma haver vários fatores em simultâneo.

Esta distinção é importante para criar expectativas realistas: recuperar dentes e função não equivale a tratar todas as alterações do envelhecimento facial. A medicina dentária deve responder ao problema que foi identificado, e não prometer rejuvenescimento.

E se os dentes estão lá, mas parecem mais curtos?

A pele perde elasticidade com o tempo, e o sol e o tabaco contam, por isso uma linha junto à boca não prova falta de suporte dentário.

Recuperar dentes e função não equivale a tratar todo o envelhecimento facial, e a medicina dentária não deve prometer rejuvenescimento.

A sua prótese dentária ainda está bem adaptada?

Uma prótese pode estar inteira e já não acompanhar a boca. Os tecidos onde assenta mudam e os próprios dentes da prótese desgastam-se. Se começa a deslocar-se durante a fala, dificulta a mastigação ou provoca dor, merece revisão.

Uma prótese bem adaptada pode ajudar a recuperar apoio numa zona específica, à volta da boca. É diferente de prometer um rosto mais jovem, e convém que as expectativas sejam realistas desde a primeira consulta.

Recuperar suporte passa sempre por implantes?

Não. Quando faltam dentes, existem várias possibilidades: pontes, próteses removíveis e reabilitações suportadas por implantes. Não há uma solução única para todas as bocas, e a escolha depende dos dentes presentes, da saúde oral e das expectativas de cada pessoa.

Os implantes são suportes inseridos no osso, sobre os quais se colocam coroas, pontes ou próteses. Por isso, a avaliação inclui a saúde geral e a medicação: medicamentos para os ossos, como os bifosfonatos ou o denosumab, podem condicionar a decisão e devem ser sempre referidos. Quando faltam muitos ou todos os dentes de uma arcada, pode avaliar-se uma prótese fixa sobre implantes, mas a decisão não se resume a “fixa” ou “removível”: é preciso planear a posição dos dentes, a relação com os lábios, a mastigação e a manutenção.

E o tratamento não termina no dia da colocação. Os implantes e as próteses precisam de higiene e acompanhamento, porque a acumulação de placa pode causar doença à volta dos implantes e comprometer a sua estabilidade.

Antes de mudar o sorriso, o que levar à consulta?

Na consulta, vale a pena explicar mais do que aquilo que vê ao espelho: se passou a evitar certos alimentos, se a prótese se desloca, se sente os dentes diferentes ao fechar a boca ou se notou mobilidade. São estas informações que orientam a avaliação.

O planeamento considera os dentes que podem ser mantidos, o estado das gengivas e do osso, os tratamentos anteriores e a sua saúde geral. E convém lembrar que perder dentes não é parte natural do envelhecimento. O objetivo não tem de ser parecer outra pessoa nem regressar ao rosto de uma fotografia antiga: pode ser voltar a mastigar com conforto, falar sem receio de que a prótese se mexa e reconhecer-se no próprio sorriso.

Se perdeu dentes ou sente que a sua prótese já não responde às suas necessidades, marque uma avaliação n’A Clínica Dr. Pedro Mota, em Vila Franca de Xira.

Este artigo tem finalidade informativa e não substitui uma avaliação clínica individual. As possibilidades de tratamento e os resultados dependem da situação de cada pessoa.

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