A Clínica Dr Pedro Mota

HPV na boca: sintomas, diagnóstico e tratamento

O vírus que pode ter há anos sem saber

HPV na boca

Falámos já, no nosso artigo sobre doenças sexuais orais mais comuns, de como a boca é um território muito mais exposto do que se costuma pensar. Entre todas as infeções ali referidas, há uma que merece um aprofundamento, pela sua frequência e pela forma silenciosa como se instala. Falamos do HPV oral.

Quando falamos do HPV na boca começamos por alertar que pode tê lo há anos. Pode nunca ter sentido nada. E pode ser precisamente essa ausência de sintomas que adia um diagnóstico que devia ter sido feito muito antes.

Conteúdos abordados:

O que torna o HPV oral diferente

O HPV é um vírus com mais de 200 subtipos, mas nem todos se comportam da mesma forma nem afetam os mesmos tecidos. Quando falamos de HPV oral, referimo nos especificamente à presença do vírus na mucosa da boca, da língua, do palato ou da garganta.

Não existe vergonha em ter HPV na boca, existe responsabilidade em saber e agir. É esta a ideia central que gostaríamos que ficasse clara com este artigo, porque a maior parte dos casos de HPV oral não resulta de comportamentos de risco isolados, mas de um contacto de mucosas comum e frequentemente impossível de datar com precisão.

Como se transmite o HPV oral

A via mais associada ao HPV oral é o contacto direto entre mucosas, do qual o sexo oral é o exemplo mais conhecido, mas não o único. Pequenas lesões impercetíveis na mucosa facilitam a transmissão em qualquer contacto íntimo próximo.

Posto isto, é importante frisar um ponto que gera frequentemente ansiedade desnecessária nos doentes, o diagnóstico de HPV oral não permite determinar quando ocorreu a infeção. O vírus pode permanecer latente durante anos sem qualquer manifestação, pelo que tentar identificar a origem ou o momento do contágio é, na prática, impossível e não deve ser motivo de culpa ou de conflito na relação.

Sintomas a que deve estar atento

A maioria dos casos de HPV na boca não apresenta qualquer sintoma visível, o que torna a vigilância clínica regular, que é feita nas consultas de higiene oral, ainda mais relevante do que a autovigilância.

Quando existem manifestações, podem incluir:

No entanto fique ciente deste alerta: nenhum destes sinais confirma, por si só, a presença de HPV na boca, uma vez que outras condições da cavidade oral podem manifestar se de forma semelhante. Ainda assim, qualquer alteração que persista para além de duas semanas deve ser avaliada por um médico dentista especialista da nossa equipa.

O HPV provoca cancro?

Não, na maioria dos casos, mas existem subtipos de HPV considerados de risco, associados sobretudo a verrugas benignas, e subtipos de alto risco, que podem estar relacionados com determinados cancros da orofaringe.

De acordo com o Registo Oncológico Nacional de Todos os Tumores na População Residente em Portugal (2022), o HPV é responsável por cerca de 100% dos cancros do colo do útero, 99% dos condilomas genitais, 84% dos cancros do ânus e percentagens significativas de cancros da orofaringe, vagina, vulva e pénis, totalizando 5% dos cancros no geral e 10% dos cancros na mulher. 

Se quiser continuar a aprofundar este tema deve ler os nossos artigos dedicados ao cancro oral.

De facto, a generalidade das infeções por HPV é eliminada espontaneamente pelo sistema imunitário antes de provocar qualquer alteração celular significativa. A vigilância mantém-se, no entanto, essencial sempre que existam lesões persistentes, alterações na voz ou dificuldade a engolir sem explicação, ou seja, comece a ter impacto nas rotinas do dia-a-dia.

Como é feito o diagnóstico do HPV oral

O diagnóstico começa sempre por observação clínica cuidadosa de toda a cavidade oral, incluindo língua, gengivas, palato e restante mucosa. Sobre a língua importa agora fazer um pequeno parêntises e ler o nosso artigo sobre a higiene oral em casal.

Nessa avaliação e deparando-se com uma lesão suspeita, o médico dentista pode solicitar exames complementares, nomeadamente biópsia, para confirmar a natureza da lesão e excluir outras patologias.

Existe tratamento para o HPV na boca?

Em muitos casos não é necessário qualquer tratamento específico, sendo suficiente vigilância periódica até que o próprio sistema imunitário elimine a infeção, como falámos acima.

Quando existem lesões visíveis, estas podem ser removidas através de diferentes técnicas, incluindo cirurgia ou laser, sempre de acordo com a avaliação do profissional de saúde d’A Clínica. Nos casos em que se identificam alterações celulares, o plano terapêutico é definido caso a caso e que pode encontrar detalhado na app Novismile que utilizamos n’A Clínica, sempre na vanguarda em medicina dentária em Vila Franca de Xira, a apenas 20 minutos de Lisboa.

Algumas estratégias para prevenção

Não existe forma de eliminar por completo o risco de infeção, mas há medidas que o reduzem de forma significativa:

Diagnóstico precoce é sempre o "tratamento" que melhor resulta

Marque consulta sempre que observar uma ferida que não cicatriza ao fim de duas semanas, verrugas ou lesões persistentes, manchas sem causa aparente, rouquidão prolongada ou dor a engolir sem explicação.

Quanto mais cedo a alteração for identificada, maior a probabilidade de diagnóstico preciso e de tratamento simples.

Se identificar alguma alteração persistente na boca ou tiver dúvidas sobre despiste de HPV oral, consulta de avaliação n’A Clínica Dr. Pedro Mota. O diagnóstico precoce continua a ser a forma mais eficaz de proteger a sua saúde oral.

Perguntas frequentes sobre o HPV na boca

 Não. A maioria das pessoas infetadas não apresenta qualquer sintoma.

Em muitos casos sim, através da ação natural do sistema imunitário, mas não é linear que isso aconteça, pode sempre fazer parte da percentagem que fica afetada.

Não. Apenas alguns subtipos de alto risco estão associados a maior probabilidade de desenvolver determinados cancros, sendo essa evolução pouco frequente.

Reduz significativamente o risco de infeção pelos subtipos abrangidos pela vacina, incluindo na cavidade oral.

Sempre que exista uma lesão, mancha, verruga ou ferida que persista por mais de duas semanas.

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